"Talvez tivesse sido diferente, mas também podia ter sido tudo como foi."
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Jessica P.O.V
- Justin! – repeti com a voz oscilante.
Ele estava parado nos encarando feio. Eu estava começando a ficar com medo do seu olhar fulminante sobre mim. Eu só estava querendo ajudar, não tenho culpa se nós dois fizemos merda. Se ele não queria consertar as coisas alguém devia pelo menos tentar, e olha que eu não tinha obrigação de ajudar porra nenhuma.
- Meu filho! – indagou Jeremy se levantando e caminhando até o garoto que permanecia parado a me fuzilar – Jessie me contou sobre o seu projeto.
- Meu projeto? – Justin gaguejou confuso.
- Sim, sobre a gravadora, a empresa de equipamentos músicais, eu achei fantástico! – disse animado passando o braço pelos ombros de Justin que tinha ficado surpreso.
- Ah, claro, o projeto! – ele forçou um sorriso para o pai.
- Senta ai! – ele apontou para a cadeira ao meu lado.
- Tudo bem! – Justin se sentou e então me enviou um sorriso torto como se estivesse pedindo desculpas, eu revirei os olhos e cruzei os braços.
- Você trouxe ele? – Jer perguntou – Eu queria dar uma olhada.
- Eu trouxe sim, claro que trouxe! – o idiota disse nervoso.
- Amor como você é esquecido! – dei um tapinha no ombro dele com a voz sínica – Você deixou com o papai, ele disse que ia mostrar para os outros investidores, lembra?
- Nossa, que cabeça a minha! – ele passou a mão na testa – Como eu pude me esquecer disso?
- Mas quando voltarmos pra Nova Iorque ele pode te mandar tudo por e-mail Jeremy! – disse sorrindo para o homem importante a minha frente.
- Certo! – ele concordou – E quanto aos um milhão de dólares, vou depositar no fim de semana, pode ser? Minha conta está bloqueada por três dias por que peguei uma quantia muito alta para financiar a nova loja.
O queijo de Justin caiu.
- O senhor vai me emprestar o dinheiro? – gaguejou perplexo.
- Eu vou te dar o dinheiro filho. – ele encostou o cotovelo na mesa segurando uma caneta na mão – Sabe, eu fiquei muito feliz de saber que você está tomando jeito, e como a Jessie me contou você precisa de um milhão para investir não é? Eu quero te dar esse dinheiro, é o mínimo que posso fazer já que você parou a faculdade, quero me redimir pelo tempo que não pude ficar do seu lado, sei que precisou de mim por muitas vezes e eu simplesmente não estava lá. – ele suspirou – Eu não me orgulho do meu passado Justin, e é por isso que vou fazer de tudo para que o seu futuro seja brilhante.
Ouch.
Se eu fosse o Justin me sentiria a pessoa mais culpada do mundo. Bem feito pra esse idiota.
- Tenho certeza que ele vai fazer bom uso do dinheiro! – disse sarcástica sem deixar transparecer o duplo sentido das minhas palavras.
Justin me olhou incrédulo.
- Eu vou multiplicar essa grana, e vou ser muito reconhecido em tudo que eu fizer.
- Ah, claro! – indaguei irônica – Dizem que esse ramo da muito dinheiro não é.
Ele olhou pra mim com uma franca aversão.
- Obrigada por confiar em mim pai.
Será que isso poderia ser mais falso?
- É o mínimo que posso fazer! – ele sorriu – Até queria me desculpar por hoje mais cedo, é que aquilo me incomodou muito, acabei me esquecendo que vocês são jovens e com hormônios a flor da pele.
- Exatamente! – disse Justin franzindo a testa.
- Jessica é uma boa garota Bieber!
- Ótima! – ele concordou irônico.
- O jantar está pronto pessoal! – uma mulher baixinha com o cabelo curto apareceu na porta – Oi Justin, oi garota!
- Oi! – disse baixo.
- Ela é a namorada do Justin! – jeremy disse orgulhoso se levantando da mesa – Jessica essa é a Erin, minha esposa.
- É um prazer conhecê-la! – virei meu rosto na direção dela.
Ela sorriu.
- Vamos jantar? Sem querer me gabar mas aquela macarronada parece estar uma delicia.
- Eu tenho que voltar pra casa. Peguei o carro da Pattie, ela deve estar preocupada.
- Não precisa amorzinho! – Justin disse sínico alisando minha mão – Eu ligo pra ela e digo que vamos jantar aqui.
- Tudo bem então querido! – retribui o sorriso no mesmo tom.
- Vocês são estranhos! – Jeremy disse franzindo a testa e saindo do escritório logo atrás da Erin – Se demorarem muito vou achar que estão transando! – ele gritou do corredor me fazendo soltar uma risada alta.
- Por que você fez isso? – Justin perguntou fitando os olhos em mim.
- Acho que vou querer a macarronada! – disse me levantando e saindo do escritório sem responder a sua pergunta.
Erin e Jeremy conversavam animadamente enquanto ela tirava as panelas do fogão e colocava em cima da enorme mesa de jantar. Eu me sentei em uma das doze cadeiras e alguns minutos depois vi de relance a sombra de Justin que ocupou a cadeira ao meu lado. Eu estava com muita raiva dele. Eu vim aqui para ajudar e ele fica me olhando com aquela cara de babaca como se eu tivesse feito algo errado, sem contar no jogo de palavras cruzadas, eu odeio pessoas que conversam na base da ironia, apesar de tudo quando eu entro no jogo, eu entro pra valer.
- Cadê as crianças? – perguntou Justin.
- Acabaram de dormir.
- As oito da noite Erin?
- É que eles passaram a tarde inteira brincando no parquinho, estão cansados.
- Nossa! – ele suspirou – Eles sempre dormem tarde.
- Jazzy pergunta de você o tempo inteiro! – Erin disse após colocar a última panela na mesa – Ela sente a sua falta.
- Eu também sinto falta dela. – Justin disse rápido – Só não tenho tempo como antes.
Ela riu com amargura e se sentou. Jeremy abriu a geladeira e pegou uma coca-cola de dois litros que colocou no centro da mesa.
- Eu estou muito ansioso para ver o seu projeto, fico até imaginando todos falando de você na América.
- É só um projeto pai! – Justin disse colocando macarronada em seu prato – Nem sei se vai dar mesmo certo.
- Meu filho essas pessoas gostaram do que você fez, elas confiaram em você, se elas disseram que vão investir é por que é algo bem feito que vai fluir.
- O senhor tem razão! – ele sorriu fraco.
Jeremy elogiou Justin durante todo o jantar, ele simplesmente não conseguia parar de demonstrar o quanto estava orgulhoso e feliz pelo “projeto” e por meus pais quererem investir nele. Eu apenas sorria e concordava com tudo que ele dizia, eles são simpáticos e apesar de Jeremy ser bem sério ele chegou até a ser brincalhão durante a conversa. Erin é um amor de pessoa assim como Pattie. Justin ficava sem graça em alguns momentos e eu ria disso. Quando eu exagerava contando sobre quando Justin supostamente foi conhecer os meus pais ele pisava no meu pé por de baixo da mesa me fazendo gemer baixo.
Gemer para não rir.
Depois de ficarmos um bom tempo conversando na sala de estar, finalmente conseguimos convencer Jeremy e Erin a nos deixar ir pra casa, isso depois de prometer que voltaríamos mais vezes. Justin parecia estar angustiado para ficar a sós comigo, podia até imaginar o interrogatório que viria a seguir. Entrei no carro e me joguei no banco de passageiros, coloquei o sinto de segurança afinal Justin deu de querer me matar agora. Mas para a minha surpresa ele saiu com todo cuidado da garagem, provavelmente por que Jeremy estava observando tudo de longe ou então por que ele queria ganhar tempo perguntando tudo que tinha para perguntar antes de chegarmos em casa.
- Eles gostaram de você! – disse com um sorriso torto.
- É impossível alguém não gostar de mim Biebs! – ele riu.
- Humilde você hein!
- Aprendi com você baby!
- Desembucha vai! – ele me olhou por um breve segundo – Por que você fez aquilo?
- Salvar a sua vida? – disse sarcástica – Boa pergunta, eu não sei por que diabos fiz aquilo.
- Hey, hey, calma gatinha! – ele riu da minha indignação.
- Será que dá pra ligar pra graça? Por que eu não estou vendo ela em lugar nenhum.
- Para de ser chata! – reclamou – Eu só fiz uma pergunta.
- Eu fui até a casa do seu pai para te ajudar e você agiu como um idiota, você é um ingrato!
- Você quer o que, que eu me ajoelhe e beije seus pés?
- Não Justin, eu só queria que você tivesse sido menos babaca!
- Quando eu cheguei lá eu achei que você tinha estragado tudo, quando eu vi o carro da minha mãe, quando a Leticia me contou que você tinha saído, sei lá, eu fiquei puto da vida, reconheço que interpretei mal, qual é, você queria que eu pensasse o que?
- Nada Justin! – suspirei fraca.
- Você quer que eu te agradeça? – perguntou olhando diretamente nos meus olhos sem tirar as mãos do volante – Foi mal, eu não sou do tipo que agradece.
- Idiota! – bufei franzindo a testa.
- Mas como você foi bem legal comigo – ele brincava com um sorriso safado nos lábios – Valeu gatinha! – alisou minha coxa.
- Não toca em mim! – gritei tirando a mão dele.
- Tem certeza? Você adorou quando eu rasguei a sua calcinha.
- Dá pra calar a boca? Eu juro que estou tentando esquecer aquele erro terrível.
- O que? – ele me olhou incrédulo – Você se arrependeu?
Fiquei em silêncio olhando pro nada.
- Você não queria? – ele insistiu.
- No momento tudo que eu quero é que você cale a boca.
- Tudo bem. – disse um pouco irritado – Vou calar a boca.
~*~
Justin parou o carro na garagem. Não trocamos uma palavra durante todo o caminho. Assim que eu desci ele ligou o alarme e caminhou para dentro de casa. Pattie estava sentada na sala com o Dan, eu estava começando a achar isso muito estranho, já estava bem tarde para o cara estar ali, mas é claro que eu não ia me meter nisso, Justin já ficava bolado o suficiente só de ver as pessoas comentando.
- Boa noite! – disse forçando um sorriso depois que o mal educado subiu as escadas sem ao menos falar com os dois.
- Olá Jessie! – Dan falou simpático.
- As chaves do seu carro estão aqui! – coloquei em cima da mesa no centro da sala – Justin disse que vai buscar amanhã, é que ele não quis me deixar dirigir quando voltamos.
- Ele está bem? – perguntou preocupada.
- Vai ficar! – sorri fraco.
- Quer assistir TV com a gente? – sugeriu sorridente tentando animar o clima.
- Não, obrigada. Eu vou dormir.
- Mas ainda são dez e meia! – disse Dan sem perceber que na verdade eu queria sair dali e deixar os dois a sós.
- É que hoje foi um dia cheio! – coloquei uma mecha do cabelo atrás da orelha – Eu vou indo, bom filme pra vocês.
Ao chegar no quarto Justin estava sentado na cama fumando um cigarro e jogando vídeo-game, me perguntei como ele conseguia fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Eu não gostava do cheiro daquela coisa, sentia vontade de tossir só de estar no mesmo ambiente.
Ele não me olhou nem por um segundo, era como se eu nem estivesse ali. Revirei os olhos achando que ele estava agindo como uma uma criancinha e fui pro banheiro. Abri a torneira e deixei com que a água levasse todos os vestígios do dia. Voltei para o quarto e peguei uma blusa de moletom que batia nas minhas coxas, depois peguei minha toalha e fui tomar banho. A água quente me deixava confortável, dava vontade de ficar ali pra sempre, é que o Canadá é realmente frio.
Sai do banheiro e penteei o meu cabelo olhando no espelho, aquela blusa era realmente curta, talvez eu não devesse tê-la colocado. Percebi Justin olhar para mim algumas vezes, ele não sabia que eu estava vendo pelo espelho, aquilo era engraçado mas eu me controlei para não rir. Me sentei ao lado dele na cama, no pequeno espaço que tinha restado pra mim. Ele estava jogando Counter Strike, meu irmão adora jogar essa coisa, mas eu não vejo graça em ficar atirando. Eu queria o meu celular, queria ficar conversando com a Duda e com a Victoria por SMS, queria rir com o Bob. Eu queria qualquer coisa menos aquele silêncio torturante. Só que o celular estava na mesinha ao lado do Justin, a preguiça de me levantar era maior que tudo.
E num ato impensado eu me prostrei em cima dele para alcançar o celular que estava na ponta da pequena mesa. O que naturalmente deixava a minha bunda na cara dele. Não foi de propósito, eu juro que não. Finalmente consegui alcançar o celular e voltei ao meu lugar de antes.
Justin estava branco de tão pálido.
- Tudo bem Justin? – perguntei maliciosa.
Ele continou a jogar vídeo-game balançando a cabeça algumas vezes, estava claro que ele tentava afastar os pensamentos eróticos que tinha em mente. Quando fui colocar as meias que estavam na minha mão, sem querer deixei com que algumas gotas do meu cabelo molhado caíssem no braço dele, acho que também molhou o controle que estava em suas mãos.
- Que saco! – resmungou irritado.
- Foi mal! - levantei as mãos em sinal de paz.
- Por que você é tão chata? – questionou olhando pra mim.
- Pelo mesmo motivo de você ser tão infantil!
- Infantil? – ele riu debochado – Você deveria ser comediante!
- Você leva mais jeito pra coisa! - disse com uma voz nasalada.
- O que eu fiz pra você? – perguntou indiferente – Puxa vida!
- Não foi eu que fiquei emburrada do nada!
- VOCÊ DISSE QUE SE ARREPENDEU! – suas palavras me fizeram calar a boca no mesmo instante.
Um silêncio preencheu o ambiente.
- Eu só queria entender o que eu fiz de errado! – murmurou com a voz fraca.
- Justin eu errei quando transei com você no escritório do seu pai, aquele não era o lugar certo para fazermos aquilo, e foi exatamente por isso que eu fui falar com ele, para consertar as coisas, eu sei que é importante pra você conseguir essa grana, sei que você quer se tornar um Gangster como o Trevor, que quer tomar o lugar dele a todo custo, então mesmo não concordando eu fui até lá e convenci o seu pai a te dar o dinheiro. Não haja como se isso fosse certo por que você sabe que não é, e nunca vai ser! – ele encarou o nada de forma triste – Eu tenho certeza que você sabe que está brincando com as pessoas mais importantes da sua vida, se você tem um coração você deve ter se sentido culpado quando seu pai ficou todo feliz por que você mudou, por que você está seguindo em frente, mas na verdade você está pior e está querendo ir mais longe.
- Você não entende! – disse com dificuldade.
- Eu entendo, se eu não entendesse eu não teria ido atrás dele. Eu não me importo com o que você faz da sua vida, eu mal te conheço, eu só estou aqui por que a minha vida estava um saco, eu estava cansada daquelas pessoas fúteis, daquela rotina sem graça, eu só queria diversão, queria coisas novas, experimentar um mundo diferente, é só por isso.
- É claro! – ele riu fraco – Tem uma festa na casa do Drake hoje, vai ser legal, as festas lá são sempre loucas, você vai gostar. Eu te deixo lá, te apresento pra galera.
- Eu não quero sair mais hoje! – disse suspirando – Foi um dia muito confuso, eu preciso pensar um pouco, preciso apenas ficar aqui de boa entende? Preciso de paz.
- Eu vou ficar aqui com você! – disse sério.
- Olha Justin, não precisa, de verdade.
- Eu quero ficar. – ele sorriu pra mim.
Engoli o nó em minha garganta.
- Tudo bem.
- Quer jogar? – ele colocou o controle no meu colo – Eu só vou tomar um banho e podemos conversar.
Assenti sorrindo sem graça e ele pegou seu celular e digitou alguma coisa, depois o colocou em cima da mesinha e entrou no banheiro. Assim que ouvi o barulho da ducha coloquei pause no vídeo-game e peguei o celular para ver para quem ele tinha mandado mensagem.
“Para Ryan: Ei bro, cancela o racha. Vou ficar em casa hoje”
Travei a tela e coloquei o celular de volta. Balancei a cabeça algumas vezes tentando assimilar aquilo, e eu juro que tentei conter o sorriso que brincava nos meus lábios involuntariamente.
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"Oi, meu nome é Justin Bieber. Eu sei que você me julga. Mas será que você sabe que eu investi 300 mil dólares para curar o câncer de uma fã? Ou que eu doei 100 mil dólares pra uma escola carente? Será que imagina que eu doei 1% dos ingressos vendidos de diversos shows para o Haiti, depois do terremoto? Ou que eu doei todo o lucro da venda do meu primeiro perfume (60 milhões de dólares) para instituições de caridade? Conhece meu trabalho com a Pencils Of Promise? Ou minha campanha contra o bullyng? Será que sabe que o dinheiro arrecadado com uma mecha do meu cabelo foi doado pra caridade? Será que não viu todas as vezes que fui em um orfanato ou hospital? Claro que não. Você estava muito ocupado, me odiando porque eu canto Baby." - Justin Bieber
